<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454</id><updated>2011-04-21T21:30:10.923-03:00</updated><title type='text'>Fiscento</title><subtitle type='html'>Somos todos náufragos tentando salvar a nossa verdade.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fiscento.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>59</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-115094466796900637</id><published>2006-06-21T23:49:00.000-03:00</published><updated>2006-06-21T23:51:07.986-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;O Vestido de Maristânea&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Quando o padre Anatólio colocou os dois pés no chão de pedras polidas, uma chuva mansa e tranqüila anunciou a abertura da porta dos céus para Anelise. Maristânea não conseguia se concentrar em mais nada, pois não tirara os olhos de cima da amiga vestida de noiva de Jesus naquele caixão de flores amarelas. Seria uma mentirosa, pois Deus sabe tudo, mesmo o mais escondido. E ele viu quando o Virgílio a levou pra trás da mangueira naquela tarde, e como ele fez que era só um beijo, depois outro e quando não sentia mais os pés no chão e não queria mais voltar, porque tudo o que mais desejava naquela hora era que não acabasse aquilo nunca. E Deus sabia. E ia se apresentar a ele com vestido branco e uma cara de mentirosa. E foi nessa hora que começou a escutar o choro de vergonha de Anelise, que era sua amiga e sabia que era atrás do pé de manga que o mundo começava. E sentiu o maior medo da sua vida, ser enterrada com vestido de noiva.&lt;br /&gt;            O único que não compareceu ao cortejo foi Seu Amador, pai de Maristânea. Aproveitou para se refugiar no quarto secreto em que guardava suas riquezas e seus fetos machos embalsamados. Em toda vida, com todas as mulheres com que se deitou, só conseguiu que vingassem as fêmeas. Seus filhos machos morriam no ventre, por vontade de Deus ou mandinga dos inimigos, com menos de dois meses de gestação. Contava os centavos que faltavam para o pagamento dos empregados do armazém, dos peões e do cabra que lhe salvara a vida em mais de duas oportunidades. E pensava baixo, para não acordar seus filhos colhões, nas duas grandes certezas da vida: a morte e a solidão.&lt;br /&gt;            E, de repente, tudo ficou claro. Como numa iluminação pagã, Maristânea via a todos: dona Evelásia carregando o filho escolar em suas roupas de boneca; os irmãos Albuquerque, gêmeos idênticos, exceto pelo mais velho gostar de homens, o que causava milagrosos estigmas no segundo, que era o coroinha preferido do pároco; Luanda, a dona da pensão, em cuja cama o padre Anatólio costumava aparecer sem camisas nas noites em que o calor se tornava insuportável e o sonambulismo o dominava; e Antônia, a amante eterna do seu pai. Maristânea compreendeu que todos, suas diferenças, excentricidades, tudo era para tentar enganar o inevitável. Uma existência sem sentido, perdida entre as montanhas do vale e destinada a ser enterrada e a virar esterco para esse ciclo de coisa alguma que era a vida em Estrela. E uma sensação estranha e inédita se apoderou dela. Um estado de espírito que não podia ser outra coisa senão o sentimento de liberdade, capaz de livrar-lhe do medo mais íntimo e universal do ser humano, o medo da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            No domingo ia para Santa Maria completar seus estudos. Arrumava as malas com olhos de natal. Devia tudo a Anelise e aos presságios de Dona Mercês, que viu as duas amigas de infância num trem azul comendo nuvens açucaradas, o que ela logo relacionou com a morte e preveniu sua mãe, uma católica fervorosa que nunca deixou de seguir os conselhos da velha bruxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            — Você não vai mais – disse a mãe de Maristânea, puxando seu braço com força para perto de si – não no mesmo ônibus que essa puta!&lt;br /&gt;            Antônia permanecia quieta, olhando tudo de cima do carro. E era com esse olhar que matava a cada dia, a cada encontro, a esposa de Seu Amador. Porque amante tinha de se envergonhar, tinha de ter aquele olhar fugidio e culpado das cadelas pedintes como ela. Mas essa não! Seu olhar superior dizia que a culpa era da esposa religiosa que não beijava com a boca aberta, que não procurava a força do seu homem nas noites quentes, nos lençóis úmidos de desejo e que não aplacava com a boca, a buceta, ou seja lá o que for, aquele pedaço de carne infame que queria derrubar tudo o que encontrava pela frente, para saciar sua fúria colossal. E Dona Marta se mortificava a cada dia, imaginando o que ela fazia com seu marido naquele quarto de periferia, quando Seu Amador não voltava pra casa. Nessas noites, ela rolava na cama até o amanhecer, se mortificando. E quando encontrava a amante no outro dia, de vestido solto, sorriso cerrado, olhar de matrona, queria que a puta morresse. Era esse olhar superior, esse sorriso vitorioso que Dona Marta não agüentava e era por isso que a filha não iria viajar no mesmo carro que aquela vadia.&lt;br /&gt;            — E que essa carroça vire e te mande para o inferno, sua desgraçada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Mas era impossível tentar evitar o que os presságios de Dona Mercês vaticinavam. E o carro que virou foi o que levava Maristânea. E a pobre menina já se encontrava de vestido de noiva dentro de seu caixãozinho branco quando o sol esturricava as almas do cemitério de Estrela. Um sol tão forte que algumas das senhoras de maior respeito da cidade, protegidas por seus chapéus de casamento, não deixavam de cochichar que era mesmo verdade que Seu Amador tinha vendido a alma da filha para conseguir tanta riqueza. E que a falta de chuva no cortejo era um aviso. Coitada da menina, tão boazinha, nunca vai descansar em paz por culpa do pai. Mas quando os primeiros passos foram dados pelo padre em direção ao cemitério, uma nuvem escureceu o dia e o vento que a acompanhava levantou algumas saias por onde passou e uma chuva torrencial, como há muito não se via, desabou sobre o cortejo e desceu sobre todos como um aviso divino ou como para lavar as pedras do chão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-115094466796900637?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/115094466796900637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/115094466796900637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_06_01_archive.html#115094466796900637' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-114449557738762499</id><published>2006-04-08T08:21:00.000-03:00</published><updated>2006-04-08T08:26:17.396-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;as horas&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;houve um tempo em que o dia tinha 20 horas. e de tanto pedirem, para ter mais tempo para descansar, distrair-se, ou simplesmente ficar à toa, deus fez mais quatro horas. assim, o dia passou a ter 24 horas inteiras entre um e outro pôr do sol.&lt;br /&gt;hoje, ouvi uma amiga dizer que o dia tinha de ter 30 horas, para que ela fizesse tudo o que tinha de fazer e ainda descansar, cuidar do filho, ir ao cinema, enfim, viver...&lt;br /&gt;e eu fiquei pensando: se o dia fosse seis horas maior, será que eu iria aproveitá-lo como deveria? ou iria aumentar minha carga de trabalho e ficar pedindo a deus mais umas quatro horinhas? êta vida besta, meu deus...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-114449557738762499?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114449557738762499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114449557738762499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_04_01_archive.html#114449557738762499' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-114158637637916045</id><published>2006-03-05T16:05:00.000-03:00</published><updated>2006-03-05T16:19:36.393-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Contracampanha&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3340/377/1600/Picture%20257.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3340/377/320/Picture%20257.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Muito bem, esta' iniciada a contracampanha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Eu amo BH placidamente."&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-114158637637916045?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114158637637916045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114158637637916045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_03_01_archive.html#114158637637916045' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-114148233891060336</id><published>2006-03-04T11:21:00.000-03:00</published><updated>2006-03-04T11:25:38.923-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt; Inevitável&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é difícil admitir, mas no fundo todos somos meros atores do inevitável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-114148233891060336?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114148233891060336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114148233891060336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_03_01_archive.html#114148233891060336' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-114114619264891618</id><published>2006-02-28T13:54:00.000-03:00</published><updated>2006-02-28T14:04:21.646-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Trepadeiras&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje amontoam-se coisas, filmes, pessoas. Amontoam-se vidas e a gente vai seguindo meio sem rumo, sem vontade. Guiados pela biologia, que tenta a auto-preservação a todo custo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas andam tão superficiais... talvez, por isso, eu esteja tão à flor da pele. Que ninguém mais dá valor ao pensar. O exercício de refletir a vida não é mais uma dádiva dos sábios, mas um defeito dos sonhadores. E a gente simplória ganha terreno. Como trepadeiras, vão amarrando as engrenagens dos sonhos, sufocando o subjetivo da vida até prendê-la ao chão, como um galho seco e sem seiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E logo percebo, repensando a vida como um “ladrão de cataventos”, que essas pessoas são as que sofrem menos. A ignorância as liberta da angustiante busca pelo sentido de ser. E elas continuam trabalhando e consumindo, e consumindo e se entregando, pra esquecer da dor que é viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem têm tempo de apreciar uma bela pintura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3340/377/1600/van_gogh_il_seminatore.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3340/377/1600/van_gogh_il_seminatore.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3340/377/400/van_gogh_il_seminatore.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;van gogh&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-114114619264891618?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114114619264891618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114114619264891618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_02_01_archive.html#114114619264891618' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-114108294776333355</id><published>2006-02-27T20:22:00.000-03:00</published><updated>2006-02-27T20:29:07.780-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3340/377/1600/Torre%203,1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3340/377/320/Torre%203%2C1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;essa é a foto que uma amiga tirou da torre. esse carro aí à direita quase a atropelou, enquanto ela fazia contorcionismos no chão para conseguir o melhor ângulo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ela é do tipo que se arrisca por uma boa foto. é do tipo que fala da vida com o olhar brilhando e o sorriso solto...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;eu amo as pessoas que arriscam a vida por uma boa foto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-114108294776333355?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114108294776333355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114108294776333355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_02_01_archive.html#114108294776333355' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-114091377702210367</id><published>2006-02-25T21:25:00.000-03:00</published><updated>2006-02-25T21:29:37.023-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3340/377/1600/anjo%20mate.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3340/377/320/anjo%20mate.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"... ela não chegou a viver mais que três meses. nasceu com um problema genético e o coração não resistiu. muitas vezes, quando estou mais só, penso que ela se transformou num anjo distraído, que toma conta dos que têm alma de poeta"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-114091377702210367?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114091377702210367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114091377702210367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_02_01_archive.html#114091377702210367' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-114091291818215782</id><published>2006-02-25T20:59:00.000-03:00</published><updated>2006-03-20T16:11:19.536-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Todos instáveis&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"quando Roberta chegou, suas asas brilhando azuis por todos os lados, não resisti. Agarrei-a pelos cabelos, puxei seu colo em minha direção, mordi seus mamilos com cruel delicadeza... ela nem teve tempo de dizer que os anjos não tinham sexo"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELA: Era para ser assim?&lt;br /&gt;ELE: Não, no final a gente terminava com um beijo selando o nosso amor.&lt;br /&gt;ELA: Mas por quê mudou o final? As pessoas gostam de finais felizes... vende mais.&lt;br /&gt;ELE: Você acredita em finais felizes?&lt;br /&gt;ELA: Se chegou ao final é porque acabou-se a felicidade (tempo, ela olha pra cima como se recordasse, e continua) felicidade e final não combinam.&lt;br /&gt;ELE: Quando foi que você começou a ficar irônica?&lt;br /&gt;ELA: Quando a inocência morreu.&lt;br /&gt;ELE: Mas você disse que tinha perdoado, que devíamos passar uma borracha, que aquela tinha sido apenas uma aventura, coisa de homem...&lt;br /&gt;ELA: Nunca racionalize o que não é racional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-114091291818215782?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114091291818215782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114091291818215782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_02_01_archive.html#114091291818215782' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-114036712767169436</id><published>2006-02-19T13:31:00.000-03:00</published><updated>2006-02-19T13:38:47.673-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;sem inspiração - parte 3&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3340/377/1600/woodyneu.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3340/377/400/woodyneu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Agora eu estou aqui, sentado em frente ao computador, tentando escrever alguma coisa. Meu olhar frente à tela, como a interrogar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"será que essa radiação está fazendo crescer uma laranja em meu cérebro?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desligo rapidamente...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-114036712767169436?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114036712767169436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114036712767169436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_02_01_archive.html#114036712767169436' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-114036645195851724</id><published>2006-02-19T13:22:00.000-03:00</published><updated>2006-02-19T13:27:31.956-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;sem inspiração - parte 2&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"então me diz qual é a graça&lt;br /&gt;de já saber o fim da estrada&lt;br /&gt;quando se parte rumo ao nada?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulinho Moska&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-114036645195851724?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114036645195851724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114036645195851724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_02_01_archive.html#114036645195851724' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-114021365912077586</id><published>2006-02-17T19:56:00.000-02:00</published><updated>2006-02-17T20:00:59.133-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt; sem inspiração, parte I &lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado (Por Ter Se Mandado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cazuza&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado&lt;br /&gt;Por ter se mandado&lt;br /&gt;Ter me condenado a tanta liberdade&lt;br /&gt;Pelas tardes nunca foi tão tarde&lt;br /&gt;Teus abraços, tuas ameaças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado&lt;br /&gt;Por eu ter te amado&lt;br /&gt;Com a fidelidade de um bicho amestrado&lt;br /&gt;Pelas vezes que eu chorei sem vontade&lt;br /&gt;Pra te impressionar, causar piedade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos dias de cão, muito obrigado&lt;br /&gt;Pela frase feita&lt;br /&gt;Por esculhambar meu coração&lt;br /&gt;Antiquado e careta&lt;br /&gt;Me trair, me dar inspiração&lt;br /&gt;Preu ganhar dinheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado&lt;br /&gt;Por ter se mandado&lt;br /&gt;Ter me acordado pra realidade&lt;br /&gt;Das pessoas que eu já nem lembrava&lt;br /&gt;Pareciam todas ter a tua cara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado&lt;br /&gt;Por não ter voltado&lt;br /&gt;Pra buscar as coisas que se acabaram&lt;br /&gt;E também por não ter dito obrigado&lt;br /&gt;Ter levado a ingratidão bem guardada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos dias de cão, muito obrigado&lt;br /&gt;Pela frase feita&lt;br /&gt;Por esculhambar meu coração&lt;br /&gt;Antiquado e careta&lt;br /&gt;Me trair, me dar inspiração&lt;br /&gt;Preu ganhar dinheiro&lt;br /&gt;me trair, me dar inspiração&lt;br /&gt;preu ganhar dinheiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cazuza, de novo...&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-114021365912077586?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114021365912077586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/114021365912077586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_02_01_archive.html#114021365912077586' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-113805976391068250</id><published>2006-01-23T21:35:00.000-02:00</published><updated>2006-01-23T21:42:43.910-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;minha sombra&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum lugar, no meio da vida, me perdi. Certamente, foi no dia em que descobri que para a pergunta não havia a resposta. Desde então, displicente, deixo a vida me levar. Sofro, às vezes; me alegro, outras; nasço e morro todo dia. E a minha sombra, penso, não confia mais em mim. Quem sabe um dia, por precaução, até deixe de me seguir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-113805976391068250?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/113805976391068250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/113805976391068250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2006_01_01_archive.html#113805976391068250' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-113304218729575761</id><published>2005-11-26T19:55:00.000-02:00</published><updated>2005-11-26T19:56:27.306-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Com canela&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Falava sempre num meio tom acima do necessário. Para qualquer assunto que a conversa caminhasse tinha uma tese própria, e a expunha com a soberania unânime dos que sabem, mesmo que sobre o mesmo não tivesse mais que uma leve idéia na memória. Mas era como se aquela certeza sobre o quer que fosse a alimentasse e fosse o sentido que precisava ter para continuar vivendo. Nos assuntos de família era ela quem organizava, na decisão final, o dito e o não-dito. E mesmo diante da resposta afirmativa do médico, ela manteve a clareza: “então, a única coisa que posso fazer é usar morfina e esperar a morte?”&lt;br /&gt;            O modo prático de encarar qualquer situação assustou o jovem médico, que chegou a ensaiar um: “e ficar ao lado das pessoas que você ama.”&lt;br /&gt;            — Então estamos conversados – e saiu calmamente, como em todas as consultas anteriores. Cumprimentou a secretária, que falava alguma coisa ao telefone e que só lhe respondeu com um sorriso, e fechou a porta sem bater.&lt;br /&gt;            Atravessou a rua, andou dois quarteirões, entrou na doceria que freqüentava há anos, e pediu um capuccino italiano. O mesmo dos últimos vinte anos. Sentiu a acidez deliciosamente desagradável da canela no céu da boca, como quando entrara pela primeira vez naquele lugar, no dia em que perdera a virgindade com o namorado eterno da prima mais velha. Iluminou-se um instante estalando a língua, o sabor forte da canela, a aspereza contrastando com o chocolate.&lt;br /&gt;            — Sem canela seria enjoativo – falou para ninguém.&lt;br /&gt;            Pagou a conta contando as moedas, a quantia exata, fechou a bolsa e a atravessou ao pescoço. Pediu a caneta emprestada com a garota do caixa e escreveu com sua letra de professora o número do CPF no braço esquerdo. Agradeceu com o sorriso adequado e saiu.&lt;br /&gt;            Mais três quarteirões à frente jogou-se, sem que ninguém notasse o movimento, à frente do ônibus que fazia a conexão Centro-Paraíso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-113304218729575761?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/113304218729575761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/113304218729575761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_11_01_archive.html#113304218729575761' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-113079485078381611</id><published>2005-10-31T19:39:00.000-02:00</published><updated>2005-10-31T19:40:50.796-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;A MENINA DOENTE&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Naquele dia, a menina amanheceu com um gosto amargo na boca, que não melhorou nem com o café adoçado generosamente pela rapadura. Seus olhos negros de cadela pedinte entregaram seu estado e a mãe, que cuidava das fezes do mais moço, sentiu como que uma revelação: “essa menina está morrendo”.&lt;br /&gt;            A mais velha, seus nove anos e ainda sem pedras no peito, ficou encarregada de levá-la ao médico. Colocou o vestido vermelho de tecido sintético para parecer mais adulta, batom forte e umas sandálias de salto que a tornavam a caricatura viva de uma prostituta esquecida. A menina, que já passava dos sete, apesar de aparentar dois anos menos, procurou no fundo do baú até encontrar o vestido branco de renda e tule encardido com que fora batizada há dois anos pelo padre Anatólio. O mesmo que costumava amanhecer sem camisas, nem ele sabia como, na cama ardente de Luanda, a dona da pensão.&lt;br /&gt;            Nos caminhos do vale se foram, como almas perdidas na luz diáfana daquela hora da manhã. A mãe, que as observava da janela da casa, pensava naquela menina que vivia doente, como a figura de um anjo permanentemente ferido, se perder na poeira vermelha e desejava, com toda a misericórdia daquele coração de mãe, que ela tivesse nascido morta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-113079485078381611?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/113079485078381611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/113079485078381611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_10_01_archive.html#113079485078381611' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-112480701397414082</id><published>2005-08-23T11:22:00.000-03:00</published><updated>2005-08-23T11:23:33.980-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Infinito&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Entre o zero e o um existem infinitos números. Já pararam pra pensar? Infinitos como estrelas. Até que o professor Aroldo me explicasse, não fazia o menor sentido. Mas é verdade, está nos livros. E os livros não mentem, pelo menos não deveriam. Entre o número zero e o número um existem infinitos números. Assim, fazendo uma comparação mal e porca, posso dizer que entre você e eu podem existir infinitas possibilidades. Isso acaba com a lógica fácil do seu determinismo zodiacal. Temos infinitas possibilidades de errar, de acertar ou de continuar nesse meio caminho de coisa nenhuma em que nos encontramos. Puta que pariu! Infinitas possibilidades me deixam tão sem escolhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-112480701397414082?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/112480701397414082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/112480701397414082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_08_01_archive.html#112480701397414082' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-112312632188964038</id><published>2005-08-04T00:27:00.000-03:00</published><updated>2005-08-04T00:32:01.893-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Que é isso, Marta?&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela amassava o pão com mais força, e mais, e era como se dissolvesse seus problemas na matéria amorfa que se prendia em suas mãos, braços e subia até quase alcançar a alma, como querendo fazer pare dela própria. Foi quando, náufraga, estourou num grito:&lt;br /&gt;- Vai dormir, Vinícius! Passar o dia e a noite em claro ainda vai te matar!&lt;br /&gt;- Marta, as noites de sono devem ser muito bem perdidas.&lt;br /&gt;- Nem pra escrever presta mais. Paixão não enche barriga, sabia?&lt;br /&gt;- Que é isso, Marta! Escritor de babador não serve!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-112312632188964038?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/112312632188964038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/112312632188964038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_08_01_archive.html#112312632188964038' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-112233316849728701</id><published>2005-07-25T20:10:00.000-03:00</published><updated>2005-07-25T20:12:48.503-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;h3&gt;Bobo da corte&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Então, a realidade brilhou dourada no dedo anular da amada, transportando o bobo de volta à vida.&lt;br /&gt;     — Títulos de nobreza não se compram – disse o bobo.&lt;br /&gt;     E a música de fundo subia alto em seu coração...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Os meus amigos todos&lt;br /&gt;Será que eles não entendem&lt;br /&gt;Que quem ama nesta vida&lt;br /&gt;Às vezes ama sem querer&lt;br /&gt;Que a dor no fundo esconde&lt;br /&gt;Uma pontinha de prazer...” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;                                       Cazuza&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-112233316849728701?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/112233316849728701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/112233316849728701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_07_01_archive.html#112233316849728701' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-112095364677506422</id><published>2005-07-09T20:59:00.000-03:00</published><updated>2005-07-09T21:02:42.303-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;A menina e seu livro colorido&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da porta, logo na entrada, eu podia ver. E tão perto, que se viam as cores que se entrelaçavam em sua alegria.&lt;br /&gt;Em cada canto da sala em que ela se sentava, abrindo vagarosamente seu livro colorido no colo, brotava um poema. E aquela tarde nublada ficava menos cinza.&lt;br /&gt;Seu olhar negro se coloria com o reflexo das cores do seu livro. Suas perninhas balançavam ao ritmo da alegria dos seus pensamentos.&lt;br /&gt;Em que será que ela pensava?&lt;br /&gt;Talvez pensasse nas flores coloridas ou nos bichinhos inteligentes do seu livro. Ou, e com certeza deveria ser isso, apenas se deixava levar pela alegria – que ela ainda não tinha consciência que existia, tão perto e tão ao alcance das mãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-112095364677506422?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/112095364677506422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/112095364677506422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_07_01_archive.html#112095364677506422' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-111827191019159880</id><published>2005-06-08T20:04:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T20:05:10.196-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Cravo na lapela&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O cravo na lapela estava torto, o que dava certa impressão de desleixo ao morto. Não conseguia deixar de notar aquele detalhe, mesmo em se tratando do velório do meu único filho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-111827191019159880?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111827191019159880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111827191019159880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_06_01_archive.html#111827191019159880' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-111749873507639058</id><published>2005-05-30T21:15:00.000-03:00</published><updated>2005-05-30T21:19:58.943-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;h3&gt;DE COMO ME TORNEI UM SERIAL KILLER&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Parte I&lt;h&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dia acordou frio. Da janela, o mar parecia provocar incessantemente ondas cada vez mais fortes, como para se aquecer. Ao contrário, o céu descortinava um azul tão límpido que me fez esquecer toda a madrugada de pesadelos que tivera de enfrentar. Andréa dormia seu sono feliz ao meu lado, com seu sorriso de gozo da noite passada, que não se desfez durante toda a noite.&lt;br /&gt;O primeiro gole de café, que me fez queimar a língua, terminou de me acordar. Era preciso pensar no que faria daquela maleta de dinheiro que, ontem, escondera embaixo da cama e em como me livraria do corpo no porta-malas do Uno.&lt;br /&gt;Aos treze anos comecei, como contínuo, no Hospital das Clínicas. Gostava do trabalho. Ouvia walk-man o dia inteiro. Andava de um Banco a outro. Sentava na Praça da Liberdade e enrolava o serviço. Ficava vendo os avós levando seus netos para passear. Umas meninas, bonitas e despreocupadas, que saíam com seus cãezinhos e sorriam com os elogios dos rapazes que, sem camisa, corriam por ali. Eu nunca as elogiava. Não tinha coragem. Quando completei vinte anos, eles me promoveram. Fui parar numa mesa de aço na tesouraria do hospital, que ficava no subsolo. E nunca mais pude escutar walk-man. Ficava o dia carimbando notas de pagamento. E sonhando em estar numa casinha em frente ao mar, numa praia deserta como a que enfeitava o escritório. Era uma foto antiga, já meio desbotada, que as freiras colocaram lá no hospital para os doentes se sentirem menos doentes. As freiras tinham essas idéias. Zanzavam pelo hospital o dia inteiro atrás das enfermeiras e dos médicos, para que, pelo amor que eles tinham a Deus, atendessem com mais amor aos pacientes que elas acompanhavam. Um dia, o Doutor Francisco se irritou com uma freirinha que só não o excomungou porque sabia que não era dado às mulheres da ordem o poder de fechar as portas do céu a quem quer que fosse.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(continua)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-111749873507639058?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111749873507639058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111749873507639058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_05_01_archive.html#111749873507639058' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-111677562645510525</id><published>2005-05-22T12:14:00.000-03:00</published><updated>2005-05-22T21:58:50.660-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;A morte de Teodoro Santiago&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teodoro Santiago, assim é que o chamáva-mos. Tinha o olho esquerdo de vidro, a perna direita de madeira nobre, preciosamente trabalhada, e oitenta mortes contadas no coração chagásico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem mataram Teodoro &lt;em&gt;Coração de Vidro&lt;/em&gt;. Ninguém acreditou. E quem vai até o Vale do Rio Setúbal pegar o corpo, que já está começando a feder?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos em quatro, numa carroça velha que minha mãe tinha comprado com o dinheiro da pensão de meu padrasto, morto de tiro. Fora assim que Teodoro entrara na minha vida. Mamãe mandou matar o homem que a surrava toda vez que bebia. Teodoro queria receber pelo trabalho, minha mãe não teria tostão até que a pensão chegasse. &lt;em&gt;Coração de Vidro&lt;/em&gt; foi meu padrasto nesses seis meses. Mas não surrava mamãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro dava náusea. O corpo já devia estar alí há dias. O olho de vidro estava arregalado. A perna de madeira nobre virara estaca logo acima da cabeça, formando uma espécie de cruz de um Cristo de braços fechados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após dias de exame o doutor Afonso não encontrou os buracos, nem as balas. Nenhum sinal de agressão. Somente o olho de vidro arregalado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe disse que ele tinha acertado as contas com o diabo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-111677562645510525?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111677562645510525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111677562645510525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_05_01_archive.html#111677562645510525' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-111368792795757653</id><published>2005-04-16T18:43:00.000-03:00</published><updated>2005-04-16T18:45:27.956-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Alfredinho em dia de festa&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Depois de tudo o que ela disse, o que se ouviu foi o tapa. Tão moralmente ensurdecedor que até os violinos emudeceram. Os pais da noiva fitaram-se no fundo da alma, coisa rara nos últimos anos, como que descrentes que aquilo estivesse realmente acontecendo na família. Uma amiga deixou escapar um sorriso vingativo entre os dentes. A noiva, temperamental como uma mulher de açougueiro, foi a única que não teve reação. O Alfredinho, que nunca levantou a voz, nem quando ela provocava absurdos para testar sua paciência. O nanico de óculos de aros tão grossos que aprisionariam um olhar mais leviano que porventura tentasse escapar. O homem que ela escolheu para viver sempre ao seu lado, como um segundo colocado que se coloca sempre um nível abaixo no podium...&lt;br /&gt;         O vexame social, a crise depressiva da noiva e o sumiço misterioso do buquê, tudo foi esquecido.&lt;br /&gt;         Anos mais tarde, olhando as curvas da Serra do Curral através da fumaça que esgotava seu charuto, o vinho decantando sobre a mesa, ele pensa, tão alto que a voz inconscientemente lhe escapa:&lt;br /&gt;         — Devia ter dado uma porrada!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-111368792795757653?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111368792795757653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111368792795757653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_04_01_archive.html#111368792795757653' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-111239556667235135</id><published>2005-04-01T19:44:00.000-03:00</published><updated>2005-04-01T19:46:06.676-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Sir Lionard von Willebrand&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Na sala do seu apartamento, decorado com penas de gansos tailandeses à maneira de um caracol, sir Lionard von Willebrand conversa animadamente com seu guarda-chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sir Lionard von Willebrand:&lt;/strong&gt; os familiares se auto-aniquilam por amor (Pausa. Pensa no quão profundo podem chegar suas falas e no quanto o mundo poderia ser mais simples se todos o ouvissem. Continua). Ontem, me proibiram de comer um chocolate suíço. Disseram que iria fazer mal ao meu diabetes. Como se eu não soubesse disso. Sei que aquela generosa barra de paraíso iria inundar meu sangue de açúcar, não sou nenhum ignorante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(pára, olha para a cara circunspecta do seu guarda-chuva... continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sir Lionard von Willebrand:&lt;/strong&gt; poderia ficar toda a vida comendo melões tailandeses. (pausa). E você, caro amigo. Acredita que, durante cinco anos, duvidei que pudesses falar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Guarda-chuva:&lt;/strong&gt; egocentrismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sir Lionard von Willebrand:&lt;/strong&gt; a verdade pode estar bem próxima de nós. Às vezes, basta olharmos para os lados... (olha bruscamente para trás, como se ouvisse um barulho estranho). Aceitas um vinho branco? Sei que me faz mal ao corpo, mas a mente agradece. (levanta-se até o bar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(enquanto isso, Greta Garbo aparece rodopiando pela sala num vestido vermelho-sangue esvoaçante, faz um padêdê duplo, dá um salto no ar, cai fazendo uma escalada e some na fumaça. Ninguém se altera em cena)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sir Lionard von Willebrand:&lt;/strong&gt; como a igreja foi, há dois séculos, o ópio das massas, a internet, hoje, funciona como tal. Já reparou que ambas alienam o homem com a promessa de dádivas infinitas? Um outro mundo, onde somos iguais e podemos alcançar o infinito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o Guarda-chuva se abre como um gato arrepiado. Um gaiato na platéia grita: “sexto sentido!” Ninguém se altera em cena).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sir Lionard von Willebrand:&lt;/strong&gt; poderia ficar a vida toda bebendo um Bourdon. (olha, pensativo, para a taça e uma lágrima rola por sua face).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Do local onde a lágrima caiu, brota uma rosa falante. O Guarda-chuva pisa na pequena flor, calando-a, após cinco minutos em que a mesma declamava Shakespeare num agudo meio-tom acima do humanamente suportável).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sir Lionard von Willebrand:&lt;/strong&gt; ontem, vasculhando umas velharias no sótão à procura do meu quebra-nozes de ouro, encontrei minha velha fórmula da geração espontânea de energia. Testei-a por curiosidade e ela ainda funciona (fala com desinteresse, petiscando algumas pupilas de elefante ao molho de nozes). Liguei para um cartório de patentes e perguntei como se faz uma doação ao bem comum. Eles não acreditaram em mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Guarda-chuva:&lt;/strong&gt; o homem crucifica o que não consegue entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nesse momento, uma manada de elefantes com óculos escuros e bengalas passeia pelo palco. O mesmo gaiato grita da platéia: “cuidado, o elefante vai esmagar sua cabeça!”. sir Lionard von Willebrand o olha com superioridade enquanto termina seu vinho. A manada se esvai. Ninguém se altera em cena).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sir Lionard von Willebrand:&lt;/strong&gt; poderia ficar a vida toda bebendo um Bourdon...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(diz isso e cai sobre o prato oftalmológico. Da sua nuca, todos podem ver, o sangramento fatal. Um perito em balística texano entra em cena e tenta, inutilmente,explicar a teoria da bala zigue-zague que matou John Fitzgerald Kennedy. Novamente, ninguém se altera em cena).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Alguns segundos, 78 mais precisamente, em um silêncio insuportável – a cena permanece congelada – o Guarda-chuva quebra o gelo, abaixa a calça, olha fixamente para o corpo e, calmamente, se masturba).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-111239556667235135?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111239556667235135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111239556667235135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_04_01_archive.html#111239556667235135' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-111221200891823215</id><published>2005-03-30T16:45:00.000-03:00</published><updated>2005-03-30T16:46:48.923-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;CECÍLIA&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Na televisão, o pastor da Igreja da Ressurreição pregava aos fiéis, que levantavam suas bíblias aos céus, como escudos, e clamavam, todos ao mesmo tempo, enquanto ele falava. Cecília mudava de canal automaticamente até parar num filme pornográfico. Duas mulheres vestidas como adolescentes americanas entram num quarto, começam a conversar sobre os meninos do ginásio e se põem a trocar carícias. Ela se excita com os gemidos das garotas, se masturba com a calma de quem mora sozinha há cinco anos e desliga o monitor. A sala escura, o barulho abafado que vem da rua, seu coração batendo pelo ritmo sexual da adrenalina que age, agora fracamente, em seu corpo, ditam o ritmo da sua vida. E tudo parecia igual a todas as noites. O telefone não tocava há dias e o sorvete no congelador já devia ter virado pedra. Ela suspira forte, como que para puxar um pouco de vontade de viver pra dentro dos pulmões, e daí para o sangue, num transporte passivo através daquele ar acre do seu apartamento. Mas lembra que, naquele ambiente saturado da sua própria existência, já não há força vital alguma há meses. Desiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            No fundo da sala, onde descansa o espelho da avó, ela consegue ver-se parcialmente refletida. Os olhos azuis dão vida à face cansada. Lembra, ela ainda menina, a mãe dizendo que chegaria o dia em que um belo poeta faria uma canção praqueles olhos tão azuis quanto o oceano, que ela ainda não conhecia. E a criança pensava em como seria maravilhoso quando todos fossem ver o mar. O pai levando-a nos ombros água adentro. O gosto de lágrimas infinito do oceano a instigar-lhe os sentidos. Seus sorrisos contidos para não beber daquela água que causava disenteria. Tudo passava pela sua cabeça naquele instante eterno que se repetia todas as madrugadas. E Cecília se perguntava: quando é que meus sonhos morreram? Eles não morreram, responde para si, após alguns segundos. Se ouvisse o telefone tocar agora, todos voltariam. Seus sonhos não morrem, menina idiota, eles apenas se afastam por alguns momentos. Vão arejar a cabeça, pois é impossível conviver permanentemente com o que você se tornara, essa mulher tímida e desinteressante, que não olha ninguém nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Continua a se olhar no espelho, coisa rara. Era pequena e levemente acima do peso. Mas, devido à baixa estatura, parecia muito mais gordinha do que era. Lembra da adolescência. Todas as amigas exibindo já os seus seios fartos e ela “magra como uma tábua”, sua avó costumava dizer. Tentou a todo o custo ganhar alguns quilos. Tomou chás de pedra, sulfato ferroso, biotônico. No final, dez quilos mais gorda, ainda sem peitos. Malditos peitos. Pra que servem os peitos? Peito é pra dar leite, alimentar a cria. Cadelas têm sei lá quantos peitos e ninguém se excita com elas. Cecília tinha raiva dos valores de beleza em que não se enquadrava. Começou a usar roupa preta fechada até o pescoço e a achar fúteis todas as mulheres que se enfeitavam feito índios em dia de festa. Não era índia. Queria ser livre como aquelas colegiais de calças jeans largas e desbotadas. Mas não tinha coragem. E o quê as colegas da loja iriam dizer? Eram todas iguais, em seus decotes generosos e calças baixas. Todas umas índias idiotas, pensava com raiva, retirando os olhos do espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Deveria ter a coragem de enfiar goela abaixo aquela cartela de comprimidos que tinha ao lado da poltrona. Colocar o vestido vermelho que comprou há dois meses e que nunca teve coragem de usar. Era isso! Colocaria o vestido, se maquiaria como uma prostituta e tomaria duas caixas de rivotril. Seu coração começou a bater mais forte e um estado de ânimo tomou sua alma. Excitou-se com a idéia da morte. Afinal, para que continuar aquela vida medíocre que levava? Ninguém sentiria sua falta. Não podia ter filhos. “Só com tratamento”, disse o médico, enquanto ela se afundava no sofá em frente. O suicídio poderia ser a saída triunfal de uma vida de coadjuvante.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Vai correndo até o guarda-roupa, seus sonhos chegando um a um, meio desconfiados. Abre o armário e ele está lá. Sua vermelhidão indecente. Retira o cabide e, em frente ao espelho, deixa cair vagarosamente o vestido sobre o colo. A imagem que ela recria na memória não a deixa prosseguir com o sorriso, e uma lágrima salga as bochechas. Foi há dois anos, quando entrou no shopping para comprar um vestido novo, que lhe custaria quase o salário do mês. Tinha um encontro, o primeiro encontro. Aquele rapaz que passava todo dia em frente à loja, olhando-a de cima a baixo. Sentia-se nua e onipotente com aquele olhar de cio. Amava com todas as forças a aparição que se repetia todos os dias, no mesmo horário. Até o dia em que o sonho foi se tornando em realidade e ele se aproximou. Comprou o vestido no mesmo dia. Vermelho, tinha de ser vermelho. Ele não apareceu. O vestido foi pro armário. Semana e meia mais tarde e ele ligou, estava na portaria. Queria entrar. Entrou. Naquela noite ela não se sentiu amada como sonhava. Sem uma palavra amarrada, sem carícias. Sentiu-se só durante todo o ato. Ele nunca mais apareceu. O telefone mudo foi sua recordação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ouve um barulho. Todo o seu corpo treme. Era ele! Esperou alguns segundos... mais três batidas na porta.  Era agora um rio turbulento, vários sentimentos misturados. Ódio, amor, rancor, esperança... todos os sonhos deliciando-se de desejo. Voltou à sala. Abriria a porta? Seu coração dizia que sim, sempre querendo entregar-se. Mas ela sabia que deveria fazê-lo aguardar. Afinal, foram dois anos de ansiosa espera. Sentou-se na poltrona em frente à TV, abraçou-se ao vestido vermelho até o som das batidas cessarem de cansaço. Adormeceu com um sorriso cheio de amor por si e nem percebeu quando, por baixo da porta, inseriram uma carta em papel azul, que à luz inconstante que vinha da televisão, fazia lembrar um boleto bancário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-111221200891823215?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111221200891823215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111221200891823215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_03_01_archive.html#111221200891823215' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-111127118869591523</id><published>2005-03-19T19:22:00.000-03:00</published><updated>2005-03-19T19:34:27.616-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Versão - poema&lt;/h3&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu grande amigo, e escritor aguerrido, Leonardo Paixão e sua versão poética do meu último conto. Resta agradecer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ontem mataram Carlos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Algumas pessoas que por ali passavam,&lt;br /&gt;distraídas com seus assuntos mais íntimos,&lt;br /&gt;nem notaram seu corpo estendido no asfalto,&lt;br /&gt;que terminava de devolver à terra&lt;br /&gt;o pouco que viveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem mataram Carlos.&lt;br /&gt;E uma mulher,&lt;br /&gt;gorda e maneta,&lt;br /&gt;que não saia do seu apartamento há três dias,&lt;br /&gt;chorou uma solitária lágrima de pena de si,&lt;br /&gt;quando viu a notícia no jornal da televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mataram o sorriso triste das suas limitações.&lt;br /&gt;E a forma alegre de dizer qualquer coisa que fosse,&lt;br /&gt;só para não se entregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem mataram Carlos.&lt;br /&gt;E seu corpo sem vida,&lt;br /&gt;confundido com aquela parte esquecida&lt;br /&gt;de cada um que por ali passava,&lt;br /&gt;dava nojo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Leonardo Paixão sobre conto de Fabiano Novais&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-111127118869591523?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111127118869591523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111127118869591523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_03_01_archive.html#111127118869591523' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-111064617961072757</id><published>2005-03-12T13:47:00.000-03:00</published><updated>2005-03-12T13:49:39.613-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Ontem mataram Carlos&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Algumas pessoas que por ali passavam, distraídas com seus assuntos mais íntimos, nem notaram seu corpo estendido no asfalto, que terminava de devolver à terra o pouco que viveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ontem mataram Carlos.&lt;br /&gt;            E uma mulher, gorda e maneta, que não saia do seu apartamento há três dias, chorou uma solitária lágrima de pena de si, quando viu a notícia no jornal da televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Mataram o sorriso triste das suas limitações. E a forma alegre de dizer qualquer coisa que fosse, só para não se entregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ontem mataram Carlos.&lt;br /&gt;            E seu corpo sem vida, confundido com aquela parte esquecida de cada um que por ali passava, dava nojo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-111064617961072757?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111064617961072757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111064617961072757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_03_01_archive.html#111064617961072757' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-111058412360145990</id><published>2005-03-11T20:35:00.000-03:00</published><updated>2005-03-11T20:35:23.603-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>...mataram carlos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-111058412360145990?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111058412360145990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/111058412360145990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2005_03_01_archive.html#111058412360145990' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-110401442519050017</id><published>2004-12-25T20:36:00.000-02:00</published><updated>2004-12-25T20:40:25.190-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Depois da Festa &lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Quando os homens erram, que o mundo peça desculpas...&lt;br /&gt;Ele continuou calado. O olhar perdido entre a ignição e a rua escura à sua frente, que apontava o retorno. Dar a partida, colocar o cinto de segurança, olhar no retrovisor. Tudo o que aprendera aos dezoito anos nos carros de auto-escola. Pensava na sua instrutora, que usava saias acima dos joelhos, naquele sorriso provocativo. Ela era casada e tão naturalmente sedutora que até podia se dar ao luxo de ser pobre de espírito.&lt;br /&gt;— Estou esperando... você vai continuar caladão aí?&lt;br /&gt;O sinal de trânsito ofuscado pela chuva... era muito mais perigoso quando a chuva caía à noite. Se derrapar? Frenar, o nome certo era frenar. Diminuir a marcha, manter a curva aberta, os punhos cerrados num movimento amplo. Não ser brusco e nunca, nunca frear. Não deixar que o carro fuja do controle e ter a calma para não procurar a solução mais fácil: o pedal do meio.&lt;br /&gt;Ela começou a chorar. Ela sempre chorava para desarmá-lo. Desde quando namoravam, suas brigas sempre terminavam com ele se desculpando. Olhou de lado para ter a certeza de que era mesmo choro e que o barulho da chuva não o estava enganando. Ela estava com a cabeça voltada para o outro lado, limpando os olhos da maquiagem que escorria. Ele baixou os seus.&lt;br /&gt;Sinal fechado. Diminuir a marcha, frear, com o pé esquerdo na embreagem. Parar. Passar para o ponto morto, retirar o pé da embreagem. Descansar.&lt;br /&gt;— O pior, de tudo o que você apronta, é quando finge que não me ouve – a mulher pára um instante, olha em sua direção, espera uma reação contrária que fosse da parte dele, e continua – você não tem humildade, nunca teve. Se acha superior, um intelectual. É nisso que dá ter casado com alguém que não acredita em Deus. Acha que tudo isso é uma besteira. Agnóstico, tá bom! Nem me acompanha à igreja. Onde já se viu? Devia ter me casado com o Roberto...&lt;br /&gt;Do outro lado da rua, ele pode ver – mesmo que a escuridão obscureça um pouco a ação ¬– um rapaz, morador de rua pelo jeito, se aproximando. Seu coração começa a bater mais forte, uma sensação de frio abate seu estômago. Com as mãos suando ele coloca o carro em primeira marcha. A mulher está falando alguma coisa, ele pode sentir os sons aguçando sua audição, mas não há captação cognitiva de nada do que ela diz. Ele olha o garoto, que se aproxima. Tem alguma coisa nas mãos, uma pedra. A boca seca, ele não aguenta a tensão local, o ar quente de dentro do carro o está sufocando. Quase que pode sentir as moléculas pesando sobre seu corpo. O vapor quente em sua nuca suada, a mulher falando sem parar, o garoto se aproximando... Pensou em ligar o ar condicionado, desistiu. Se precisasse acelerar o carro, para fugir da pedrada, o motor não responderia com toda a potência. O ar condicionado retira a potência do motor. O sinal abre, ele acelera por instinto, canta pneu. A mulher reclama. Ele não está transportando porco, ela diz. Abre o vidro do carro, chove ainda, o ar entra trazendo a vida de volta. Seu corpo se fere com os pingos da chuva. Ele não liga, está a salvo.&lt;br /&gt;— Eu não aguento mais isso – ela, chorando – por quê você não me ama mais? O que aquela mulherzinha tem? Ela é casada com o seu amigo, esqueceu? Pirainha ordinária!&lt;br /&gt;O ar batendo forte em seu rosto lhe dá uma sensação inocente de paz. Estava a salvo. O coração voltava a seu ritmo normal. Olha rapidamente para sua esposa. Não a reconhecia. Não era a mulher por quem se apaixonara perdidamente há cinco anos. Ou era? Talvez a paixão o tivesse cegado naquele primeiro instante. As gotas de chuva em seu rosto, a mulher chorando. De um lado a liberdade que fere os sentidos, do outro, sua prisão à insignificância. Mas era a hora de acabar com isso. Salvara-se há pouco. Deveria agradecer por outra chance de começar a viver de verdade. Onde estavam os sonhos de sua adolescência? Já fora comunista, depois socialista, socialista cristão, e ultimamente até achava que o capitalismo poderia ser, se bem administrado, justo. Não! Não era essa a vida que queria para si. Recomeçaria. Separaria-se, reconstruiria sua vida num pequeno quarto-e-sala e voltaria a escrever suas peças. A vida lhe dera outra chance, não desperdiçaria. Sentia as gotas de chuva em seu rosto, bebia a água limpa que caía do céu...&lt;br /&gt;— Cuidado! Você não está...&lt;br /&gt;E ele ouve o barulho, o pára-choque destruído, controla o carro, não breca. Diminui a marcha e mantém o braço firme. Olha no retrovisor e vê algo se retorcendo no chão – era um mendigo. Pára bruscamente. Homicídio culposo, dois a seis anos, ou eram oito? Era culposo? Sem intenção, culposo. Doloso é quando quer matar. Culposo, então. Matara, em sua distração, um outro ser humano. Uma vida que chegara ao fim. O pobre não tivera outra chance, como ele fora sorteado há pouco. A sua vida acabara também. Seria preso e não aproveitaria a outra chance que a vida lhe dera. Teria de parar para socorrer o pobre, chamar a ambulância, a polícia. Quem sabe, sairia livre? Quem foge do local do acidente tem como agravante a negligência. Até que, sentindo o braço da mulher no seu ombro, voltou atenção a ela. Seu olhar comandante e sua voz decidida, como há pouco, quando o chamara agnóstico egoísta. O mesmo modo de ser, pairando levemente acima dele, como sua mãe quando lhe dava um sermão nos seus dias de criança:&lt;br /&gt;— Não pára, ninguém viu nada. Segue, rápido! Não pára, não pára...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-110401442519050017?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/110401442519050017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/110401442519050017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_12_01_archive.html#110401442519050017' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-110272292905945047</id><published>2004-12-10T21:52:00.000-02:00</published><updated>2004-12-10T21:55:29.060-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Amor,&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o formato do teu olhar, assim como as curvas da Serra do Curral, é como que a moldura perfeita. É você, como ninguém. Seu olhar oriental. Perco-me nesses olhos como entrasse num labirinto em Meca. E, sem rumo, tivesse medo apenas de voltar a me encontrar são e salvo de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As curvas de teu corpo me invadem. Longe, me canso de não te ter. Quase platônico, amo meus desejos. Torto, me agarro ao vento para que me leve o pensamento esmagador, o de nunca me sentir dentro de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua boca, naturalmente vermelha, mata. Sangue nas ruas frias da noite. Mate-me, pelo amor de Deus! Faça alguma coisa! Mas, de te sentir de longe, duvido que vivas. És Marte, uma quase estrela, vermelha, mas fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrir do meu amor é algo que fazemos juntos, mas não por muito tempo. Pois, as balas sem açúcar já estão adoçando minha mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus, amor, que a vida é breve...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-110272292905945047?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/110272292905945047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/110272292905945047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_12_01_archive.html#110272292905945047' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-110254784138143758</id><published>2004-12-08T21:13:00.000-02:00</published><updated>2004-12-08T21:17:21.383-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt; profissional&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O poeta senta e escreve&lt;br /&gt;            todos os dias, à mesma hora.&lt;br /&gt;            Trabalha das oito às dezoito&lt;br /&gt;            com horário de almoço&lt;br /&gt;            e cafezinho às três e quinze&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ajunta palavras pouco usadas&lt;br /&gt;            vernáculos, vocábulos&lt;br /&gt;            e adjetivos natos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            E no final do dia&lt;br /&gt;            cinco poemas e um soneto&lt;br /&gt;            Um soneto!&lt;br /&gt;            No mês, trinta dias&lt;br /&gt;            cento e oitenta poesias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            E no seu coração&lt;br /&gt;            onde o fogo ardia&lt;br /&gt;            hoje bate&lt;br /&gt;            a féria do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-110254784138143758?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/110254784138143758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/110254784138143758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_12_01_archive.html#110254784138143758' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-110098319148201154</id><published>2004-11-20T18:32:00.000-02:00</published><updated>2004-11-20T18:39:51.483-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;O Espelho&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Maria Fernanda era a mais bela mulher que o mundo já conheceu. Não o mundo todo, deixemos claro, que nunca fora famosa para além da sua pequena cidade, no interior do Vale do Jequitinhonha.&lt;br /&gt;            Quando nova, nunca se destacara das outras da mesma idade. A mágica aconteceu aos quinze anos, no dia em que, debutante, se mostrou à sociedade local em seu vestido de seda branco e, como que por feitiço, nascia ali a mais formosa figura que jamais viram. Os olhos azuis se acentuaram. Eram como um recorte do céu límpido daquele inverno. Os cabelos negros e brilhantes, o contorno do rosto, o nariz e os lábios formavam um equilíbrio perfeito, mistura das muitas gerações que a antecederam, em que se fundiam italianos, alemães, índios e negros. E aquela pequena mancha localizada pouco à frente do lóbulo da orelha esquerda que, segundo um poeta local diria anos mais tarde, seria a assinatura de Deus em sua obra-prima.&lt;br /&gt;            Desde então, choveram pretendentes. Ricos, belos, figuras importantes da sociedade local. Vários filhos ilustres da capital se apaixonaram perdidamente por sua beleza. Mas ela nunca se alterava, jamais mostrava mais de cinco dentes ao sorrir. O certo é que nunca conhecera ninguém verdadeiramente. Todos se transmutavam perante aquela sua beleza avassaladora. Os homens se derretiam em elogios, ao mesmo tempo em que enalteciam a própria figura a fim de sempre impressioná-la. As mulheres, por sua vez, se remoíam de inveja e ciúmes. E houve até uma que se apaixonou perdidamente pela bela Maria Fernanda e, após a desilusão pelo amor impossível, se tornou freira enclausurada.&lt;br /&gt;            Aos dezoito anos, a bela se casou com o filho de um rico fazendeiro de uma cidadezinha vizinha. E nem aquele homem deixou de se espantar ao se deparar com a perfeição nua em sua primeira noite. Três dias passou, entre choro e lamentações, por aquela profanação. O sexo com ela se tornava, a cada dia, a figura exata da tragédia do pecado original. Só sentia prazer quando se atolava em luxúria no suor dos puteiros da cidade.&lt;br /&gt;            A cada ano que passava, Maria Fernanda ficava mais bela. Sóbria e trágica, vagava pela casa como um fantasma esquecido. Não se envolvia profundamente em nada, nem emprestava emoção a qualquer coisa que fosse. Seus filhos, que eram dois, iam crescendo e se afastando daquela mãe, bela e distante, que parecia habitar um mundo só seu.&lt;br /&gt;            No seu aniversário de trinta e cinco anos, a bela Maria Fernanda enviuvou. Seu luto fechado já durava nove meses. Não voltara à igreja desde a missa de sétimo dia do falecido marido, o que deu motivo a muitos para suspeitarem de que havia feito um pacto com o diabo para não envelhecer. Nua, em frente ao espelho, escovava os cabelos, que se tornavam milagrosamente mais brilhantes conforme o tempo passava. Seu corpo ganhara mais curvas, o que a tornara ainda mais desejável com a idade. Os seios continuavam firmes e belos. Não tinha sequer um detalhe a mudar. Terminou de se escovar e ficou se olhando no espelho, se tocando, sentindo o prazer trágico da beleza perfeita. Foi então que, num choque de espírito, socou o espelho e, mãos sangrando, retirou um dos cacos mais pontiagudos e abriu, em golpes certeiros, cinco talhos profundos em seu corpo.&lt;br /&gt;            Cinco anos depois, a Senhora Maria Fernanda Rodrigues engordara dez quilos e se casara com um caixeiro viajante que se apaixonou perdidamente por suas piadas de salão, que divertiam a todos, e pelo seu sorriso, que era solto e franco, e que mostrava, mesmo nas risadas menos empolgantes, todo o céu da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-110098319148201154?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/110098319148201154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/110098319148201154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_11_01_archive.html#110098319148201154' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-109940275110450531</id><published>2004-11-02T11:33:00.000-02:00</published><updated>2004-11-02T11:39:11.103-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Dois mini-contos ao vento&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O quase suicídio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Na televisão, o pastor da Igreja da Ressurreição pregava aos seus fiéis de cara abobada, que levantavam suas bíblias aos céus como a um escudo e gritavam, todos ao mesmo tempo, enquanto ele falava. Cecília mudava de canal automaticamente até parar num filme pornográfico. Duas mulheres vestidas como adolescentes americanas entram num quarto, começam a conversar sobre os meninos do ginásio e se põem a trocar carícias, começando a transar. Ela se excita com os gemidos das garotas, se masturba com a calma de quem mora sozinha há cinco anos e desliga o monitor. A sala escura, o barulho que vem da rua movimentada do centro da cidade, seu coração ainda batendo pelo ritmo sexual da adrenalina que age, agora fracamente, em seu corpo, ditam o ritmo da sua vida. E tudo parecia igual a todas as noites. O telefone não tocava há dias e o sorvete no congelador já devia ter virado pedra. Ela suspira forte, como que para puxar um pouco de vontade de viver pra dentro dos pulmões, e daí para o sangue, num transporte passivo através daquele ar acre do seu apartamento. Mas lembra que, naquele ambiente saturado da sua própria existência, já não há força vital alguma há meses. Desiste.&lt;br /&gt;E a caixa de remédios ao lado da cadeira convidam, incessantemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(sem título)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escrevo com a pena leve&lt;br /&gt;que é para não sair todo no papel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-109940275110450531?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109940275110450531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109940275110450531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_11_01_archive.html#109940275110450531' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-109803187356658804</id><published>2004-10-17T13:48:00.000-03:00</published><updated>2004-10-17T13:51:13.566-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;ESSE RIO&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse rio vem enchendo o mar desde que eu me entendo por gente.&lt;br /&gt;E nunca deu.&lt;br /&gt;Sei que Deus existe para não deixar que o rio cubra o mar&lt;br /&gt;e nos afogue a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-109803187356658804?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109803187356658804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109803187356658804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_10_01_archive.html#109803187356658804' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-109795062215025799</id><published>2004-10-16T15:11:00.000-03:00</published><updated>2004-10-16T15:17:02.150-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Num canto da sala&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai, sentado na cadeira de balanço de seu avô, fingia se interessar pelo jornal de ontem. Olhava vez ou outra em minha direção, despistadamente. Eu fingia não perceber, até que o ar ficou pesado demais:&lt;br /&gt;- Eu só sinto vontade de morrer às vezes, nas outras é charme - e ele voltou ao jornal, sem jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-109795062215025799?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109795062215025799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109795062215025799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_10_01_archive.html#109795062215025799' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-109726810792115521</id><published>2004-10-08T17:39:00.000-03:00</published><updated>2004-10-08T17:41:47.920-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Sob a sombra das amendoeiras&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento exato em que a pessoa se descobre marca o divisor de águas eterno da sua vida. E se descobrir, ao contrário do que muitos possam pensar, não significa tornar-se em pedra imutável. Antes, é a partir desse momento que as mudanças diárias, que povoam a nossa vida, se tornam mais livres e verdadeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Viver Para Contar”, a primeira parte do livro autobiográfico do escritor colombiano Gabriel García Márquez, perpassa o complexo enredo diário de vários escritores, de qualquer estilo literário, no transcorrer de suas vidas. A ânsia por aprender a escrever, a eterna batalha com as palavras e a intuição, sempre presente, de que tudo isso não tem utilidade alguma, sempre me atormentou, e continua presente em cada momento em que sento para escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se embrenhar pelos caminhos da literatura do escritor colombiano é como pairar levemente acima da realidade de toda a América Latina, no que ela tem de mais clandestino e rarefeito. Suas personagens são universais, ao mesmo tempo em que nos são cúmplices, e os temas de seus contos são como que nossa vida posta em papel e tinta aos olhos de todos (como os segredos escritos nos muros de “O Veneno da Madrugada”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cada coisa, só de olhar, me suscitava uma ansiedade irresistível de escrever para não morrer”. Foi assim que o escritor se sentiu ao se despedir da terra de sua infância, sob o calor insuportável dentro do trem da antiga companhia bananeira, que foi a dádiva e a desgraça de Aracataca, a cidade onde viveu e onde nasceu, como erva daninha imortal, o realismo fantástico da América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever para não morrer talvez seja a força motriz inconsciente de todo escritor. Inconsciente, pois o próprio Gabo cita Rilke, na passagem em que esse diz que “se você acredita que é capaz de viver sem escrever, não escreva”. Como podemos continuar materialistas, se a força que nos move pelo espaço das letras não tem explicação? Luis Carlos y Aragón deixou impresso para sempre, como uma espécie de profecia: “a poesia é a única prova concreta da existência do homem”.  O ser humano é de uma complexidade tão rica que posso dizer, sem medo de errar, ser o tema único de todo escritor. García Márquez diz, em seu livro “Cheiro de Goiaba”, que seu tema é a solidão. Tudo o que já escreveu são variações desse sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ânsia compartilhada motiva. Funciona como uma espécie de terapia em grupo. Descobrir que esse sentimento povoa grandes escritores é como retirar um peso carmático dos ombros. E o resultado é continuar escrevendo, mesmo sem saber pra que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-109726810792115521?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109726810792115521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109726810792115521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_10_01_archive.html#109726810792115521' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-109690884628542517</id><published>2004-10-04T13:43:00.000-03:00</published><updated>2004-10-04T13:54:06.286-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Tem Dias&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem dias em que a gente senta em frente a tv e nem vê a vida passar. Tem dias em que a gente senta pra estudar e tudo parece tão natural como se não doesse existir. Tem dias em que eu tô tão alheio a tudo que nem parece que existo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras vezes a gente não consegue ver sentido em nada. Pra que se estuda, se trabalha, se vive todo dia acordando cedo e batendo o ponto naquela máquina enferrujada? Nesses dias é que eu me sinto mais vivo, mais humano e mais só. Nesses dias eu nem queria ter acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes é bom viver uma vida de cinema americano. "Êta vida besta, meu Deus".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente escreve pra esquecer de viver...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-109690884628542517?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109690884628542517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109690884628542517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_10_01_archive.html#109690884628542517' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-109537787226222272</id><published>2004-09-16T20:36:00.000-03:00</published><updated>2004-09-16T20:37:52.263-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Seu João Morro Acima&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Equilibrava-se sobre duas rodas como o fez seu segundo filho, naquela noite, a fugir dos homens que entocaiaram Carlos, o primogênito. E seguia pelas ruas semi-desertas do seu bairro de periferia, as luzes dos postes ainda acesas e a criança na garupa, terminando de dormir o sono da noite. Sua merendeira azul, que se soltava vez ou outra, batendo nos cascalhos da rua, ditava o ritmo da travessia. E todas as vezes ele se assustava, e a puxava paternalmente para o colo. Seu João pensava em como o bairro mudara durante aqueles vinte anos e a dor da perda de Carlos ainda apertava seu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A bicicleta ia abrindo o dia, como o fazia há dois anos, desde que Seu João decidira que seu filho mais novo – que usava óculos de grau e meio e entendia as coisas mais fácil que todos na família – não iria estudar na escola daqueles marginais, que estavam tomando conta da vida de toda criança do bairro. Levantava-se às cinco da manhã, acordava o menino, colocava uns biscoitos na sua lancheira, completava com meio pão de sal com margarina, montava o garoto na garupa da bicicleta e rompia hora e meia até o bairro dos italianos. Tinha dormido dois dias na porta daquela escola. Era preciso matricular Elias, seu caçula, para que um dia ele se tornasse doutor, rompendo com o fatalismo que cercava a família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Na esquina da rua principal com a rua quinze vislumbrou o grupo do Alexandre. Os mesmos meninos que Seu João vira crescer jogando bola nas ruas de terra batida, depois no campinho de várzea onde ele era o treinador e em que hoje fora construído um hipermercado no lugar. Agora, com as pistolas a riste, esses garotos se sentem os donos da rua. Junto ao Alexandre estava Marcelo, o zarolho. Perdera o olho esquerdo como pagamento de uma dívida. Na semana seguinte, com o sangue de seus carrascos ainda quente em suas mãos, tomou o segundo ponto da rua quarenta e oito. Seu João passou de cabeça baixa, como aprendera nesses tantos anos de pobreza sofrida e virtude rígida, tão característica dos homens como ele. Os rapazes cumprimentaram o ex-técnico do Clube Juventus do Almenara e Seu João fez um aceno rápido e continuou, agora com mais força, que já começava a subida.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Haviam se passado três anos desde que Carlos se tornou, pela primeira vez, o goleador do clube de futebol do bairro. O técnico sabia que o garoto seria um jogador profissional. Tinha velocidade, inteligência e a sorte que acompanha todo grande bolero. Mas também um defeito, que preocupava o pai e que foi o motivo da morte precoce, sentia um fascínio irracional pela beleza feminina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Mariana e uma amiga acabam de descer do ônibus. Seu João teve de frear para não ser atropelado. Controlou bem a bicicleta, se reequilibrou, o garoto se assustou e a merendeira fez outro rasgo ao bater no chão. Mariana baixou os olhos e a garota ao seu lado sorriu, como que forçando alguma alegria no fim da madrugada. Seu João se recompôs ao guidão e fingiu não ver a garota de programa que outrora fora a perdição do filho mais velho. A bela, na época namorada do traficante Toninho, continuou rapidamente seu caminho de volta – ainda com a lembrança fresca do dia em que Carlos, num rompante típico de seu caráter, foi ao encontro do ex-colega de escola, como quando partia pra cima de um zagueiro, dizendo que os deixassem em paz e que Toninho respeitasse a vontade da garota. Ele concordou com a decisão da menina por uma semana, até resolver tudo com o tiro que mataria Carlos e parte de Seu João, para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Respirou fundo, como o fazia toda vez que seu coração pedia para desistir da vida, e seguiu em frente. O garoto continuou olhando para as duas que se afastavam e sorriu dos traficantes que levantavam suas saias, mesmo sob os protestos daquelas meninas, que queriam chegar logo em casa e dormir ao lado das antigas bonecas de rostinhos sorridentes de porcelana amarelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Era preciso continuar, subir o morro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A cada dia essa escalada ficava mais longa. Suas pernas já quase querendo desistir, parar. O garoto maior, mais pesado. Os livros que se acumulavam na mochila, a idade, que vinha somando os anos e subtraindo as forças. Ele continuava. Suava em cima daquelas duas rodas e seguia até o cume. Prosseguir para que o caçula, o último dos três filhos que ainda continuava em casa, conseguisse vencer o muro invisível que separava esse bairro cheio de desgraças do resto da cidade, que crescia a olhos vistos em seus jardins floridos e fontes luminosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ricardo, seu segundo filho, ainda fugido. Desde aquele dia, quando vingou a morte do irmão, entregando Toninho para o delegado Silva, sabia que estava marcado para morrer. A questão era: quando? Se ficasse em casa do pai, não duraria nem uma semana. E, lá fora, tinha um mundo a descobrir. Viveria intensamente, arriscaria tudo o que deixou passar durante os anos de adolescente naquele lugar dominado pelo medo. Depois do sol, saiu para nunca mais voltar. Seu João ainda seguiu com os olhos o vulto do filho, iluminado pela lua cheia, sumindo atrás de um barracão na esquina. No outro dia, sem lua no céu, Seu João sentiu a certeza de que seria assim a sua nova vida, onde só restavam as estrelas a iluminar suas noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A última pedalada e deixou-se levar pela descida, como aquelas aves que pairam no ar com as asas abertas, apenas ancoradas pelo vento. Sentiu a brisa leve no rosto, que trazia novo ânimo, e sentiu-se livre. Parecia ter engolido uma nuvem. E a criança, na garupa, ia perdendo de vista seu bairro, que sumia aos poucos enquanto a bicicleta deixava o topo do morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-109537787226222272?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109537787226222272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109537787226222272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_09_01_archive.html#109537787226222272' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-109536596174568723</id><published>2004-09-16T17:17:00.000-03:00</published><updated>2004-09-16T17:19:21.746-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;rarefeito&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu me sinto tão bem que parece que engoli uma nuvem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-109536596174568723?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109536596174568723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109536596174568723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_09_01_archive.html#109536596174568723' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-109508942567195749</id><published>2004-09-13T13:24:00.000-03:00</published><updated>2004-09-13T12:30:25.670-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;O Adeus&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com os olhos úmidos e o soluço em suspenso que ela ouviu suas últimas palavras, antes dele sumir para sempre da sua vida:&lt;br /&gt;— “Eu adoro um amor inventado...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-109508942567195749?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109508942567195749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109508942567195749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_09_01_archive.html#109508942567195749' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-109431780874995969</id><published>2004-09-04T14:08:00.000-03:00</published><updated>2004-09-04T14:10:08.750-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;DO TEMPO DA VIDA&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Quero as certezas frágeis,&lt;br /&gt;            intensas como o sol.&lt;br /&gt;            Paixão sem compreensão.&lt;br /&gt;            Essa vida nos cobra sentimentos,&lt;br /&gt;            e não suas verdades:&lt;br /&gt;            velhas fórmulas empoeiradas pelo tempo,&lt;br /&gt;            brinquedos guardados que não servem para nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Quero as certezas frágeis,&lt;br /&gt;            intensas como o sol.&lt;br /&gt;            Querer-te imortal até que o amor se acabe.&lt;br /&gt;            E aí, você vira cicatriz dentro de mim.&lt;br /&gt;            Quebremos os brinquedos, na alegria&lt;br /&gt;            de sorrir descontroladamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Vivamos feito heróis acrobatas,&lt;br /&gt;            do tempo dos circos malabaristas,&lt;br /&gt;            que se equilibram em minha mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-109431780874995969?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109431780874995969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109431780874995969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_09_01_archive.html#109431780874995969' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-109406984194965704</id><published>2004-09-01T17:14:00.000-03:00</published><updated>2004-09-01T17:17:21.950-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Mesmo assim&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava pela rua em frente ao ponto de ônibus como se pairasse a dois centímetros do chão. O olhar perdido nalguma estrela do horizonte, a fronte reta e os passos decididos que acompanham os vencedores. Poderia estar pensando na feira do dia seguinte, na flor que esqueceu de molhar, ou em qualquer outra coisa menor ou maior que fosse. O certo é que estava naquele estado de graça de quando nos apaixonamos, quando tudo na vida parece que vai dar certo. Era como se conversasse de igual para igual com Deus numa mesa de bar, brindando aguardente como se fosse champanhe.&lt;br /&gt;Foi quando tropeçou e quase caiu no meio da calçada. Reequilibrou-se apressadamente, baixou o olhar como que a procurar pelo motivo da quase queda, se abraçou à bolsa que carregava, agora seu escudo contra o mundo, e começou a caminhar fiscalizando o chão. Algumas mulheres no ônibus sorriram jocosamente. O que elas não sabiam é que ela continuava soberana, só que se esqueceu disso naquele breve instante que acompanha o percalço.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-109406984194965704?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109406984194965704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/109406984194965704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_09_01_archive.html#109406984194965704' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108938542908470227</id><published>2004-07-09T11:57:00.000-03:00</published><updated>2004-07-09T12:03:49.083-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Estilingue&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não percam o lançamento do Jornal de Literatura do DA de Letras da UFMG, o &lt;em&gt;Estilingue, literatura e arredores&lt;/em&gt;, que será nesse sábado dia 10 às 10 horas na livraria Ouvidor Savassi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estarei em viagem para passar umas duas semanas no Vale do Jequitinhonha. Quando voltar, mando recados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108938542908470227?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108938542908470227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108938542908470227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_07_01_archive.html#108938542908470227' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108758367799380211</id><published>2004-06-18T15:33:00.000-03:00</published><updated>2004-06-18T15:34:37.993-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Sozinho&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Batem à porta. São sete horas da noite. Ele atende prontamente:&lt;br /&gt;	— Boa noite.&lt;br /&gt;	— Olá, o que o senhor deseja?&lt;br /&gt;	— Bem, amigo. Eu gostaria, antes de mais nada, de te informar que sou assaltante profissional. Profissional, não. Sabe como é, o mercado informal vem crescendo... mas não vou fugir muito do assunto: eu vim surrupiá-lo de qualquer bem material que possa me render algum.&lt;br /&gt;	— Isso é alguma brincadeira? – e disse isso olhando ao redor em busca de alguma dessas câmeras escondidas dos programas de televisão.&lt;br /&gt;	— O senhor deve imaginar como andam as coisas. Essa onda neoliberal nos pega desprevenidos e, às vezes, roubar é nossa única saída. Os gastos sempre maiores que os proventos, o senhor sabe – e sorriu cúmplice para o dono da casa que, se não fosse o absurdo da situação, lhe retribuiria o gesto – Sou um adepto da não violência e um seguidor fiel das normas do Procon. Os assaltos normalmente vêm sem aviso prévio, o que pode nos pegar com as calças na mão – o dono da casa ajeita o seu roupão – mas eu sempre achei que o consumidor tem o direito de saber o que vai levar, ou melhor, perder. E um roubo, como uma consulta médica, não deixa de ser um produto do trabalho, não é mesmo?&lt;br /&gt;	O dono da casa estava estupefacto. Agora, nem tanto com a situação como quanto à fluência lingüística do marginal de blazer enxovalhado.&lt;br /&gt;	— Como sou adepto da não violência, não ando armado. O senhor pode comprovar que seria difícil esconder uma arma nesse blazer com os bolsos furados ou nessa calça larga que um velho parente já falecido me deixou.&lt;br /&gt;	— É, bem, digo...&lt;br /&gt;	— Até que eu queria continuar a conversa, que está muito aprazível, mas visto o adiantado da hora, acho que devo me apressar. Ônibus à noite é uma dificuldade, e o perigo das ruas, meu Deus que nos guie...&lt;br /&gt;	— Bem, meu senhor, não sei qual é a gozação, mas eu não sou disso, não. Então, vai dando o pé daqui que já vai começar a minha novela.&lt;br /&gt;	— Pelo visto o senhor mora sozinho – e dá uma ligeira espiada pra dentro da casa – Pois homem que sabe de cor o horário da novela das oito, que nunca começa às oito, não deve ter uma mulher em casa. Do contrário, ela logo o avisaria para que mudasse do canal de jogos para o da novela.&lt;br /&gt;	— Nisso tenho de lhe dar razão. Afinal, nenhum homem assume que gosta de uma novelinha, não é mesmo?&lt;br /&gt;	— Nem que gosta mais de futebol que de sair com a namorada para um cineminha...&lt;br /&gt;	— Há-há-há, isso mesmo... – o dono da casa alegra-se com a conversa – mas vamos dar uma entradinha. A cerveja não é da melhor, mas tá geladinha!&lt;br /&gt;	— Cerveja boa é cerveja gelada, como dizia meu pai – e regozijaram-se com mais essa afinidade – com a sua licença – e adentrou à casa do Fernandão, como já estava se referindo ao dono da casa o nosso larápio que, para apresentação formal a todos, se chamava Maneco. &lt;br /&gt;	Seus olhos passearam pelo som estéreo, pelo DVD e repousaram no prato de azeitonas em cima da mesinha de centro:&lt;br /&gt;	— Quero ver inventarem tira-gosto melhor que azeitona.&lt;br /&gt;	— Ou bebida melhor que cerveja – e riram-se novamente.&lt;br /&gt;	Conversaram animadamente a noite toda. Futebol, religião, política, mulher, o último livro do Rubem Alves... até que Maneco interrompeu a conversa com aquele velho adendo: &lt;br /&gt;	— Acho que já chegou a minha hora – disse, apontando desanimado para o relógio.&lt;br /&gt;	— O que é isso? Na saída você leva o meu carro! Afinal, desde que me separei não saio mesmo de casa.&lt;br /&gt;	Bianca havia deixado a casa de Fernando há seis meses. Desde então, ele havia entrado em depressão, largara o emprego, não atendia aos amigos e engordara doze quilos.&lt;br /&gt;	— Se é assim, então...&lt;br /&gt;	— Mais cerveja! – e o papo continuou animado, como há muito tempo Fernando não se sentia. &lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	No outro dia, quando Fernando se recobrou da ressaca, só sentiu falta do DVD e das chaves do seu velho Escort. Mas sorriu ao ler o bilhete que seu novo amigo lhe deixara: “Na próxima, eu pago a conta”.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108758367799380211?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108758367799380211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108758367799380211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_06_01_archive.html#108758367799380211' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108732323548171333</id><published>2004-06-15T15:13:00.000-03:00</published><updated>2004-06-15T15:13:55.483-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Simples&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por cima daquelas nuvens&lt;br /&gt;tem um monte de estrelas.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108732323548171333?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108732323548171333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108732323548171333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_06_01_archive.html#108732323548171333' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108631854934897868</id><published>2004-06-04T00:07:00.000-03:00</published><updated>2004-06-04T00:09:09.346-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Talvez&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, talvez, escrever seja o meio que meu inconsciente encontrou de se tornar imortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, quem sabe, devo parar de ser tão sério e de rever o filme &lt;em&gt;Vanilla Sky&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108631854934897868?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108631854934897868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108631854934897868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_06_01_archive.html#108631854934897868' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108621239887146809</id><published>2004-06-02T18:38:00.000-03:00</published><updated>2004-06-02T18:39:58.870-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Os pombos&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pombos gordos, se alimentando dos restos que caíam de seu saco de pipocas, causaram-lhe uma sensação de incômodo quase sufocante. &lt;br /&gt;Tentou esquecer, olhar o que estava em cartaz no cinema em frente – um novo filme do Bruno Barreto – e a dor no estômago, mistura de frio e arrependimento, só piorou.&lt;br /&gt;Deixou cair o saco no meio da praça, levantou num susto e decidiu, entre coragem e desespero, pular...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108621239887146809?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108621239887146809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108621239887146809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_06_01_archive.html#108621239887146809' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108593263392601919</id><published>2004-05-30T12:56:00.000-03:00</published><updated>2004-05-30T12:57:13.926-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Insisto&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisto em dizer que esse blog não serve pra nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108593263392601919?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108593263392601919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108593263392601919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_05_01_archive.html#108593263392601919' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108544073145250388</id><published>2004-05-24T20:17:00.000-03:00</published><updated>2004-05-24T20:18:51.453-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;mini-coito&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando saiu do casulo,&lt;br /&gt;as asas eram azuis.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108544073145250388?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108544073145250388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108544073145250388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_05_01_archive.html#108544073145250388' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108422011418876173</id><published>2004-05-10T17:10:00.000-03:00</published><updated>2004-05-10T17:15:14.260-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;O retorno eterno&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre quando retorno de uma viagem, o primeiro lugar que visito é minha cama. É como um abraço de aconhego quando retorno. O segundo, é esse computador onde escrevo quase que diariamente. O primeiro me chama como quem acolhe, o segundo, como quem provoca.&lt;br /&gt;E aí, se rendeu?&lt;br /&gt;A resposta sempre vem em forma de prosa...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108422011418876173?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108422011418876173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108422011418876173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_05_01_archive.html#108422011418876173' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108328826454737480</id><published>2004-04-29T22:23:00.000-03:00</published><updated>2004-04-29T22:29:01.233-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;75 mulheres&lt;br /&gt;(canto para o menino de 2004)&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero chegar logo aos doze anos. Meu irmão, quando saiu com aquele ar entre sombrio e feliz, me deu um até logo que não sai da minha cabeça. Agora, na foto de seu altar, ele sorri vitorioso. Disse que teria 75 mulheres.&lt;br /&gt; Meu pai fala que tenho de ser igual a ele, que irei para o lado de Alá e terei 75 mulheres. Seria bom, 75 mulheres. Se todas forem como minha mãe, que chora à noite escondido de meu pai e diz que me ama nessas horas, será ótimo. Setenta e cinco mães para me proteger dos homens que carregam a estrela da destruição. &lt;br /&gt;Ao lado do muro, ontem, joguei uma pedra na bandeira azul com a estrela de seis pontas. O pano rasgou e meu pai me disse que, logo, logo, teria minhas setenta e cinco mães...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108328826454737480?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108328826454737480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108328826454737480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108328826454737480' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108318156926669406</id><published>2004-04-28T16:45:00.000-03:00</published><updated>2004-04-28T16:50:24.840-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Canto para o menino de 45&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha estrela tinha seis pontas. E me aquecia naquela noite fria, naquele campo. Não sei porque todos o chamavam de campo. Campo, pra mim, sempre foi um lugar bonito, verde, onde íamos aos domingos comer torta. Aquilo não era campo. Parecia um amontoado de conhecidos, todos tristes, que não viam a estrela no céu. Minha estrela de seis pontas.&lt;br /&gt;A estrela deles era quadrada. Uma estrela com as pontas quebradas. Não vi estrela mais sem graça em toda minha vida.&lt;br /&gt;Minha estrela de seis pontas me aquecia naquela noite. E a noite ainda não acabou dentro de mim. Mas a estrela, agora, tem a companhia das outras estrelas, que se apagaram naquele dia em terra e foram brilhar no céu. Ao lado da estrela que não se apaga em mim...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108318156926669406?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108318156926669406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108318156926669406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108318156926669406' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108246662778636820</id><published>2004-04-20T10:09:00.000-03:00</published><updated>2004-04-20T10:14:32.483-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Diários do céu&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, a paisagem cansa. Um dia, a beleza cansa. Um dia, tudo o que não tem alma cansa. Tudo carece de uma “razão inexplicável” para existir. &lt;br /&gt;Tentei ser materialista, juro, mas não consegui. Também, já tentei ser monge. E, longe disso, me arriscava em todo o tipo de sentimentos tipicamente pequenos, tipicamente humanos. Arranhava o céu com pequenos pulos, mas nunca tinha arriscado voar.&lt;br /&gt;Até que um dia, numa colina (essas coisas sempre acontecem em colinas), senti um vento mais forte e me joguei: &lt;em&gt;“é nesse que eu vou”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, li num jornal, que estavam tentando matar o mundo a facadas. Como um super-herói, voei o mais alto que pude. Queria ser um super-homem de meia-idade. Mas voei tão alto, que não consegui mais regressar. Desde então, escrevo na cabeça pequenas peças para não enlouquecer. &lt;br /&gt;E o mundo? O mundo já está azul...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108246662778636820?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108246662778636820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108246662778636820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108246662778636820' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108215238537694914</id><published>2004-04-16T18:45:00.000-03:00</published><updated>2004-04-16T18:58:23.420-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;essa é a versão original do conto que saiu no Estado de Minas do dia 13 de abril. Por motivo de espaço no jornal, o conto que saiu foi editado e resumido demais. O título também não foi o original, mas isso eu não entendi o motivo. Sem mais delongas, aí vai o conto...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MARIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Trajava um vestido vermelho brilhante colado ao corpo. A julgar pelas botas, levemente sujas de terra vermelha, morava na periferia. A corrida até o ônibus manchara ainda mais o rosto, coberto vulgarmente pela maquiagem. O trocador olhou-a reprobativo, entregou o troco sem a encarar e não deu “bom dia”.&lt;br /&gt;	Estava acostumada. Tomou o último lugar e acendeu um cigarro. O olhar perdido só se iluminava quando algum letreiro refletia-se em suas retinas. Alguns passageiros começaram a comentar algo e a olhá-la com sorrisinhos serrados. Mas ela não chorava, não se alterava, apenas continuava a fumar. Seus olhos miravam o infinito, mas sua consciência fitava o mais profundo da alma. Forte. Desde nova secara o pranto e só o usava quando lucrasse algo com ele. Maria, seu nome.&lt;br /&gt;	O coletivo varava as ruas semi-desertas do centro velho da cidade. Os últimos bêbados eram expulsos pelos donos dos botequins da rua Guaicurus, que queriam voltar logo para casa e sossegar no quente das suas donas. As prostitutas no alto das janelas do Maravilhoso Hotel avisavam aos clientes que só abririam às oito. Filhos da rua aqueciam-se em seus cobertores São Vicente e seus saquinhos mágicos de cola de sapateiro, onde alcançavam um outro mundo, onde eram vitoriosos malandros da noite sem fim. A vida escorria lenta e vazia a essa hora do dia. &lt;br /&gt;	Maria nem percebia o que a cercava. Lembrava da noite passada, do homem de sobretudo vermelho que pedira-lhe um beijo. Arrepiara. A maioria dos homens que a procurava nas noites vazias tinha-lhe nojo. Prostituta não beija. Alguns, segregados da vida pela doença ou pela falta de beleza, tentavam roubar-lhe a boca. Suplicavam por essas carícias. Ela não os dava.&lt;br /&gt;	Mas o homem de sobretudo vermelho era diferente. Quando a olhou daquele jeito e sorriu, algo se acendeu em sua alma. Quem sabe a vida poderia ser diferente? Ele a mordeu nas nádegas, mas ela não se queixou. Sentira prazer como a muito não experimentava. Gemeu. O beijou e pensou ser tudo aquilo um sonho bom. Abraçou-o e o amou. Não fez o sexo mecânico de sempre, contando os minutos. Sentiu a alma elevar-se para aquele lugar onde as almas se abrigam na hora do sexo e que só sabe quem fez amor alguma vez na vida. Ele sorria como quem protege e diz: “não tens com que se preocupar, estou aqui e nunca te abandonarei”. &lt;br /&gt;	“O que acontece quando morremos?” disse ele. “Não sei. Só Deus pode dizer...”, respondeu Maria. “Não!”, interpelou e continuou: “Descobrimos a verdade. A grande dúvida do ser humano cessa nesse momento. Inconscientemente, procuramos a morte para viver. Pois viver é descobrir a verdade. E qual verdade maior que a ‘grande verdade’? Então, morremos para viver. A fé em um Deus que mora num paraíso é uma desculpa para quem não dá o braço a torcer. A fé não explica nada. A morte, sim”. Maria não entendeu direito e sentiu medo de morrer. Não queria descobrir verdade alguma. Sua maior ambição, mesmo que não tivesse consciência ainda, era continuar vivendo ignorante, como todo mundo.&lt;br /&gt;	Lembrou que a carne tinha aumentado novamente e que teria de comer frango nos dias de semana por um tempo. Acendeu outro cigarro e fitou as portas das lojas semi-abertas. É nessa hora que os trabalhadores convencionais chegam para outra feita. Amanhecer para o trabalho era algo que não conhecia na vida, mas seus olhos de colegial nunca descansariam antes de tornar realidade o sonho de sua mãe. &lt;br /&gt;	No seu tempo de estudante secundarista era uma menina bonita. Seu corpo desabrochou cedo. Todos notaram que o rebolado convidativo pedia para experimentar o sexo da mesma forma que a mente suplicava por apaixonar-se. Apaixonou-se, entregou-se – mesmo não sabendo se já era a hora de tornar-se mulher – sofreu, amadureceu... matou e morreu várias vezes. Seu corpo não resistiu ao tempo, sua alma desbotou. Mas o olhar ainda contém a velha chama dos tempos de colegial. Menos ingênua, menos menina... melhor assim, chegara em casa.&lt;br /&gt;	Abriu devagar a porta da sala, adentrando sorrateiramente. Despiu-se completamente ali mesmo. Primeiro, o vestido brilhante, depois as botas, a calcinha vermelha de renda, as bijouterias. Colocou tudo dentro de uma sacola de supermercado que depositou no fundo da última gaveta do móvel que apoiava a televisão. Escondido atrás dos livros que ninguém nunca leu. &lt;br /&gt;	Naquela hora perdida do dia, em que não sabemos se ainda é noite ou não mais, ela se lavava vagarosamente com uma toalha úmida para não fazer o menor ruído. Os anjinhos pintados em porcelanas azuis – do tempo das famílias de trabalhadores italianos que ali habitavam à época do crescimento econômico – espiavam seu corpo nu e a condenavam com suas consciências de anjos barrocos. Escovou rapidamente os dentes e tomou um copo de leite para não sentir a úlcera que a acompanhava desde a adolescência. Sentiu no seu íntimo um frio intenso e o choro quase brotou à face. Não ganhava nada com isso, secou. &lt;br /&gt;	Abriu a porta do quarto, já eram quase cinco e ele logo se levantaria. Deitou-se ao lado dele e, ao ouvir um resmungo de quem ainda não sabe se acordou ou se está a sonhar, apenas respondeu: “o dia amanheceu cinza”. Deitou-se e dormiu pesadamente. Cinco horas. &lt;br /&gt;	Ele se levantou como fazia todos os dias. Fez a barba, aparou as pontas do generoso bigode que empunhava na cara desde quando notara que virara homem de verdade e fez seu café. Colocou o uniforme, acertou o boné e, antes de sair, deu uma chegadinha ao quarto. Sentou-se ao lado dela, a olhou de alto a baixo e viu uma pequena mancha arroxeada à altura das suas nádegas. Molhou o seu dedo com saliva e tentou limpar a marca que não saia. Beijou-lhe levemente, cobriu-a carinhosamente, levantou-se. Antes de sair, abriu sua bolsa e retirou certa quantia em dinheiro. Era preciso fazer a feira.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108215238537694914?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108215238537694914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108215238537694914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108215238537694914' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108162739091533837</id><published>2004-04-10T17:00:00.000-03:00</published><updated>2004-04-10T17:07:02.356-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Em algum lugar, no meio da vida, me perdi. Certamente, foi no dia em que descobri que para &lt;em&gt;a pergunta &lt;/em&gt;não havia &lt;em&gt;a resposta&lt;/em&gt;. Desde então, displicente, deixo a vida me levar. Sofro, às vezes; me alegro, outras; nasço e morro todo dia. E a minha sombra, penso, não confia mais em mim. Quem sabe um dia, por precaução, até deixe de me seguir.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108162739091533837?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108162739091533837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108162739091533837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108162739091533837' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108142363777940633</id><published>2004-04-08T08:25:00.000-03:00</published><updated>2004-04-08T08:31:05.763-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>às vezes a gente acorda lispectoriano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;                                                               &lt;strong&gt; Clarisse Lispector&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108142363777940633?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108142363777940633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108142363777940633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108142363777940633' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108119722622174837</id><published>2004-04-05T17:30:00.000-03:00</published><updated>2004-04-05T17:37:30.530-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt; Ela segurava um dostoiévski &lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;...esse é o conto completo, por enquanto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela segurava um Dostoiévski como quem se protege. E, do outro lado da rua, a olhava assim, de pé à espera de algum vento mais forte que a levasse dali.&lt;br /&gt;	Aos nove anos entrou no curso de piano porque o pai achava de “bom tom” que a filha aprendesse esse instrumento e porque a mãe queria um móvel daquela classe para tapar o vão que sobrava na sala de visitas. Mas a música clássica não a tocou. Ela necessitava da letra. Precisava que a música dissesse algo mais. Precisava dizer algo de si. Queria fazer alguma coisa que a ensinasse a dizer o que necessitava para aplacar aquela pequena fera que hora despontava. O pai, a esta altura, disse que seria o piano ou o bordado. Enfim, cansada de procurar o que ainda não existia para si, saiu dos cursos e se entregou à escrita e à leitura dos livros que enfeitavam a estante de sua casa e da de sua tia, que era professora e foi quem primeiro disse a ela que “se ela acreditasse que conseguisse viver sem escrever, que não escrevesse”.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	Ela segurava um Dostoiévski como quem se descobre, e deixa transparecer nos olhos úmidos a vontade de ser poesia.&lt;br /&gt;	Aos dezoito anos se entregou, entre escolha e escolhida, atrás do piano da sala de visitas, num gesto de ansiosa lentidão. Entre o calor que vinha de baixo e o frio na barriga de quase ser descoberta; entre o medo que os ensinamentos de sua mãe a impunham e a vontade de saltar de cabeça no imenso mar lispectoriano; entre ela e outra, escolheu viver. E viver era a retórica do silêncio, a angústia de pensar, o amor pelo amor. Não se transformou naquele momento como pensou que aconteceria, pois tudo se descortinou mais complexo que o maniqueísmo que ainda a dominava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Ela segurava um Dostoiévski como que diz: me leva. &lt;br /&gt;Foi quando saiu de casa. E de tudo que o seu pai disse, levou apenas a saudade do seu olhar vermelho. Saudade que sente até hoje, quando o mundo tenta esmagá-la e sua única vontade é se esconder atrás da Cecília Meireles.&lt;br /&gt;Descobriu a capital com o mesmo fervor que um recém-nascido descobre que o mundo não se resume às paredes do útero da mãe. E tudo era maior e mais interessante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Ela segurava um Dostoiévski como quem segura uma flor, que desabrochou rindo em seu colo; e que parece murcha aos olhos de quem passa, apressado, do outro lado da rua.&lt;br /&gt;	Foi quando o ônibus passou e a levou dali, e voltei a caminhar em direção à vida que me esperava, e já estava atrasado.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108119722622174837?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108119722622174837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108119722622174837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108119722622174837' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108108560236272792</id><published>2004-04-04T10:32:00.000-03:00</published><updated>2004-04-04T10:37:04.763-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt; Ela segurava um Dostoiévski &lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela segurava um Dostoiévski como quem segura uma flor, que desabrochou rindo em seu colo; e que parece murcha aos olhos de quem passa, apressado, do outro lado da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108108560236272792?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108108560236272792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108108560236272792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108108560236272792' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108101326133590410</id><published>2004-04-03T14:26:00.000-03:00</published><updated>2004-04-03T14:31:22.763-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Se desse mais dois passos, caía. Um abismo de altura quase infinita, pois assim pareciam para suas pernas bambas de medo, se abria à sua frente. &lt;br /&gt;Não sabia como, de repente, apareceu naquele local. Lembrava que estava assistindo ao Domingão do Faustão, comeu um amendoim torrado e, pá! estava na beirada e não conseguia, apesar de toda força que fazia, voltar atrás. Conseguia olhar de soslaio, e só via o deserto inóspito e seu fusquinha 64 abandonado.&lt;br /&gt;Olhou pra cima, cegou ao sol, pra frente, não entendeu nada, novamente pra trás, e a Selminha estava nua em seu fusquinha. Pensou em pular, ver no que dava, o suicídio digno. Não conseguia voltar, ... a Selminha estava suando:&lt;br /&gt;“Puta que pariu!”, e deixou-se cair de lado, num sofá do McDonalds.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108101326133590410?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108101326133590410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108101326133590410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108101326133590410' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6716454.post-108094387519424288</id><published>2004-04-02T19:10:00.000-03:00</published><updated>2004-04-02T19:14:55.640-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h3&gt;Nasceu&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;se vai vingar, veremos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6716454-108094387519424288?l=fiscento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108094387519424288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6716454/posts/default/108094387519424288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fiscento.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108094387519424288' title=''/><author><name>Fabiano Novais</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13431281308528147899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
